Artigo de opinião | Recordes no turismo – um episódio isolado ou a antevisão das cenas dos próximos capítulos?
07 Out 2022

De acordo com os dados avançados pela SIBS, o mês de agosto de 2022 foi o melhor mês de sempre no que se refere a transações com cartões bancários nos setores do alojamento e da restauração em Braga.
Ambos os setores registaram valores recorde, quer ao nível do número de transações, quer dos valores transacionados. No alojamento registaram-se mais de 31 mil transações, que totalizaram um valor global de 3,3 milhões de euros (+19% do que em 2021). Já na restauração registaram-se mais de 628 mil pagamentos eletrónicos, que ascenderam a um valor global de 13,6 milhões de euros (+46% do que em 2021).
Para este notável desempenho destaca-se o extraordinário contributo das dormidas no concelho, quer de turistas nacionais quer estrangeiros, bem como do valor recorde das transações realizadas com cartões estrangeiros – mais de 420 mil pagamentos eletrónicos que ascenderam, no total, a 24,6 milhões de euros, significando cerca de 16% do total das transações realizadas no concelho no mês de agosto!
Este desempenho não foi um caso isolado, mas sim o culminar de um período de verão absolutamente extraordinário do ponto de vista turístico.
Até julho deste ano, segundo o INE, foram registadas 333.725 dormidas nas unidades de alojamento de Braga (+112% do que em 2021), repartidas em partes iguais entre dormidas de residentes (turistas nacionais) e não residentes (turistas estrangeiros). Porém, o desempenho das dormidas de não residentes revela uma taxa de crescimento muito superior, aumentando cerca de 258% face a 2021 (+120 mil dormidas do que no ano transato), ao passo que as dormidas de residentes cresceram “apenas” 51% (+ 56 mil dormidas do que em 2021).
Apesar desta notável recuperação, o número de dormidas registado até julho está, ainda, ligeiramente abaixo do que o que se verificava em período homologo do ano 2019 (-5%), à semelhança do que sucede com o restante país. No entanto, o volume de negócio gerado no setor está a crescer cerca de 30% comparativamente a 2019. O que significa que estamos a conseguir aumentar o rendimento por hóspede e a retirar mais valor da atividade turística, o que é uma excelente notícia.
Se nos últimos 4 meses do ano a procura mantiver um comportamento semelhante ao verificado até agosto, deveremos encerrar o ano de 2022 com 610 a 620 mil dormidas, um valor muito próximo do registado no ano de 2019.
Apesar do contexto macroeconómico adverso, decorrente do conflito armado na Ucrânia, da crise energética, da inflação elevada, do aumento das taxas de juro, das perturbações globais nas cadeias de abastecimento e do mais que anunciado abrandamento da economia mundial, estou convicto que em 2023 seremos capazes de continuar a crescer no setor do turismo, em dormidas e proveitos, e que iremos, já no próximo ano, superar as 700 mil dormidas.
E este desempenho será alcançado sobretudo graças ao crescimento das dormidas de turistas estrangeiros, porque Braga tem-se revelado um destino muito competitivo junto a este segmento e tem ainda muito potencial para explorar. Vejamos:
– Nos últimos 8 anos, temos registado um crescimento mais expressivo do que os nossos principais competidores (Lisboa, Porto, V. N. Gaia, Cascais, Sintra, Coimbra e Évora) ao nível das dormidas de não residentes. Ou seja, ganhamos mais quota de mercado do que os nossos competidores. Por exemplo, em 2014 as Dormidas em Braga de não residentes representavam 56% das registadas em Coimbra e 70% das registadas em Évora. Até Julho de 2022, as dormidas de hóspedes estrangeiros no concelho de Braga passaram a representar 97% das registadas em Coimbra e 118% das que se verificam em Évora.
– Os nossos principais competidores registam uma proporção de turistas estrangeiros muito superior à que Braga regista neste momento, o que significa que o nosso processo de internacionalização do destino ainda está numa fase ascendente e com grande margem de progressão.
Lembro que em Braga, no corrente ano, por cada dormida de um residente registamos uma dormida de um não residente. Já em Lisboa este rácio é 4,79, isto é, por cada dormida de um Residente registam-se 4,79 Dormidas de não residentes. No Porto o rácio é de 4,29, em Cascais de 3,0 e em V. N. Gaia de 1,31.
Por isso, atendendo ao extraordinário trabalho de promoção e internacionalização do destino Braga que tem vindo a ser feito pelo Município, em parceria com a Associação Empresarial de Braga e os agentes turísticos, bem como à constante captação de novos investimentos turísticos para a nossa região, à competitividade da relação qualidade preço do destino Braga e à qualidade do serviço e hospitalidade dos nossos agentes turísticos, creio que o futuro nos reserva um setor turístico ainda mais pujante e preponderante para o progresso social e económico do território.
Assim saibamos manter a autenticidade, a sustentabilidade, a inovação e a qualificação do destino Braga, e o desempenho alcançado este verão, no mês de agosto em particular, não será um episódio isolado, mas antes a antevisão das cenas dos próximos capítulos.
– artigo de opinião do Diretor Geral da AEB, Rui Marques, no Jornal Correio do Minho