Presidente da CCP reclama reformas que permitam às empresas diminuir a dependência da banca

10 Mai 2023

Na abertura das Jornadas da CCP 2023, que percorrerão o país com passagem por Braga e Leiria e dedicadas ao tema do “Comércio e Serviços e Competitividade”, que arrancaram esta terça-feira, em Lisboa, contando com a presença do ministro da Economia, António Costa Silva, e de Augusto Mateus, consultor da EY, o presidente da CCP destacou a necessidade de Portugal alcançar um crescimento económico com base em reformas de fundo que permitam às empresas diminuir a elevada dependência dos fundos europeus no investimento do país, atraindo recursos externos e reduzindo a dependência das empresas no que respeita ao financiamento bancário.

«Uma estrutura empresarial nas “mãos” de um sistema bancário com perfil conservador, não tem condições para inovar e operar a mudança de perfil produtivo de que o país carece», afirmou João Vieira Lopes. Afirmação essa que contou com a concordância do ministro da Economia e do Mar que, no seu discurso, destacou que “as empresas estão viciadas no endividamento bancário”.

No âmbito dessas reformas indispensáveis – ainda de acordo com o presidente da CCP – a aposta no capital humano e no território é fundamental para garantir que Portugal não ficará na cauda da Europa, devendo, por isso, o país investir em serviços e bens intermédios, em atividades com elevada incorporação de recursos nacionais, na produção de “séries curtas”, com prioridade para produtos flexíveis e adaptativos, na qualificação e competência dos nossos recursos humanos, em atividades associadas à valorização do território valorizando o crescente papel das cidades enquanto novas “infraestruturas“ da competitividade, em projetos mobilizadores, colaborativos e cooperativos e atividades que valorizem o posicionamento geoeconómico do país, afirmando Portugal como um “hub” intercontinental.

João Vieira Lopes destacou, ainda, no âmbito da indispensável reforma do Estado, a necessidade de existir na orgânica do Governo um responsável político pela área dos fundos estruturais, possibilitando que a intervenção dos diferentes ministérios envolvidos esteja subordinada a uma orientação geral. Em paralelo, destacou também que os designados «organismos intermédios» devem dispor de maior autonomia, reforçando a sua ligação com os promotores dos projetos, através de um diálogo construtivo, algo que, na sua opinião, não tem sucedido no que diz respeito ao Portugal2030.

► Consulte aqui o vídeo da 1ª conferência das Jornadas da CCP 2023, sob o tema Inovação, Criação de Valor e Produtividade

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