Federações Empresariais Europeias preocupadas com perda de competitividade na UE
02 Jun 2023

Os Presidentes das federações empresariais de 35 países europeus defendem uma abordagem estratégica centrada no aumento da competitividade, para que a União Europeia seja atrativa para o investimento no contexto internacional e inverta a tendência dos últimos anos.
O investimento direto estrangeiro (IDE) na UE caiu 66% em 2021 face a 2019 (pré-covid), dados que contrastam com os dos EUA, onde houve um aumento do IDE de 63% no mesmo período.
Uma indústria europeia com capacidade para investir e inovar é a única via para que se cumpram as ambições do pacto ecológico e alcançar, simultaneamente, progresso económico e social.
“A perda de competitividade da UE é gritante. As empresas afundam-se em encargos legislativos, com 502 novas obrigações europeias dirigidas às empresas entre 2017 e 2022, que representam 3670 páginas de regulamentação. A isto acrescem os preços de energia, muito superiores aos dos EUA, situação que não se deverá corrigir no curto prazo: as cotações dos mercados futuros são, para o verão de 2025, 4 vezes superiores ao período pré-covid na UE e 2 vezes superiores nos EUA. Dado este contexto, temos de perceber que a deslocalização é uma realidade que já está em curso, e isto trará sérias consequências para a economia europeia, e com impactos prolongados, dado que uma vez tomada a decisão de deslocalizar, o processo não é facilmente reversível” alerta Armindo Monteiro, Presidente da CIP.
Para o Presidente da BusinessEurope, Frederik Persson, “a queda dos preços da energia durante o Inverno ameno ajudou a afastar a economia da UE da recessão, mas alguns países estão em recessão e a situação continua a ser difícil para muitas empresas. Prevemos que o crescimento atinja apenas 0,7% na UE em 2023 e 1,6% em 2024, desde que não se concretizem os riscos negativos, como a continuação da instabilidade geopolítica. É fundamental aprofundar as parcerias de comércio internacional, por forma a aumentar e diversificar as fontes de abastecimento de matérias-primas críticas estratégicas e os mercados de exportação. Apoiamos plenamente a intenção da próxima Presidência espanhola em dar um novo impulso à conclusão e ratificação de acordos comerciais com o Chile, o México e o Mercosul”.
Por sua vez, o Presidente da CEOE, Antonio Garamendi, refere que “precisamos de empresas competitivas para reforçar a posição global da Europa, a sua capacidade de defender os nossos valores, garantir elevados padrões de vida e concretizar as transições ecológica e digital”.