Álvaro de Campos — “Todas as cartas de amor são”
10 Mar 2026
Amar. Sonhar. Viver em Braga
Uma iniciativa da Associação Empresarial de Braga
20 de março a 20 de abril
POESIA À MONTRA
Braga é uma cidade feita de encontros: entre o passado e o futuro, entre a tradição e a inovação, entre quem aqui vive e quem chega todos os dias.
É dessa vocação de diálogo que nasce POESIA À MONTRA, uma exposição literária que transforma as ruas do centro histórico de Braga num percurso poético aberto a todos.
Ao longo de 30 montras de estabelecimentos comerciais, o público é convidado a descobrir uma seleção de poemas de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos — Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
Cada montra corresponde a um capítulo desta viagem pela cidade e pela experiência humana.
O POEMA DESTA MONTRA
Leia o poema desta montra na íntegra.
TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
– 84.
1ª publ. in Acção, nº41. Lisboa: 6-3-1937.
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Explore o mapa e descubra os restantes poemas espalhados pelo centro histórico de Braga.
