Barómetro AEB | Braga cresce com consistência, mas enfrenta desafio da liderança
09 Mar 2026

Os dados económicos de 2025 confirmam a trajetória de consolidação de Braga como um dos principais polos económicos nacionais. Segundo o mais recente Barómetro da Associação Empresarial de Braga, o concelho registou um volume total de transações de 2.299 milhões de euros, o que representa um crescimento de 3,1% face a 2024.
Para Rui Marques, Diretor-Geral da AEB, os números confirmam uma tendência sustentada. “Braga demonstra consistência no seu crescimento e uma base económica sólida. Estes dados revelam uma economia ativa, com capacidade de adaptação e resiliência.”
O aumento resulta, sobretudo, da evolução dos comportamentos de consumo. as compras por via eletrónica cresceram 6,2%, enquanto os levantamentos em numerário diminuíram 4,7%. Mais do que uma oscilação conjuntural, os números revelam uma transformação estrutural: menor dependência do dinheiro físico, maior utilização de meios digitais e reforço da formalização da economia.
“Estamos perante uma modernização clara dos padrões de consumo. A digitalização não é apenas uma tendência tecnológica, é uma mudança estrutural que está a redefinir a dinâmica do comércio local”, sublinha Rui Marques.
Consumo mantém posição no ranking nacional
No contexto nacional, Braga mantém-se como o 7.º maior mercado de consumo do país, posição idêntica à registada em 2024. O dado confirma a dimensão e a capacidade de atração do concelho, mas revela também um desafio estratégico: apesar de crescer, Braga não está ainda a ganhar posição relativa face aos principais centros urbanos nacionais.
“Manter a posição num contexto competitivo já é, por si só, relevante. Mas o verdadeiro desafio é ganhar escala e acelerar o ritmo de crescimento para subir no ranking nacional”, afirma o Diretor-Geral da AEB.
Saúde, turismo e restauração impulsionam economia
A análise setorial revela transformações relevantes na estrutura económica local. O setor da saúde registou o crescimento mais expressivo, com um aumento de 31,1%, refletindo maior procura de serviços, expansão da oferta privada e valorização crescente do bem-estar.
O alojamento cresceu 20,4%, impulsionado sobretudo pelos visitantes estrangeiros, cujo consumo aumentou mais de 30%. Também a restauração apresentou um crescimento significativo, de 7,4%, acompanhando a maior vitalidade urbana e o aumento do fluxo turístico.
“Os números do turismo mostram que Braga está cada vez mais presente no mapa internacional. O crescimento dos visitantes estrangeiros é um sinal muito positivo para a economia local”, destaca Rui Marques.
Em sentido inverso, o setor da moda registou uma contração de 2,7%. Sendo tradicionalmente um dos principais indicadores da saúde do comércio urbano, este decréscimo evidencia desafios estruturais: crescimento do comércio online, concorrência das grandes superfícies e alteração dos hábitos de consumo.
“O comércio tradicional enfrenta uma pressão estrutural. É fundamental apostar na diferenciação, na experiência e na valorização do centro histórico como espaço de vivência e não apenas de transação”, acrescenta.
Turismo cresce, mas posição mantém-se
Em 2025, Braga registou 692 mil dormidas, um aumento de 2,0% face ao ano anterior. O crescimento do número de visitantes internacionais foi particularmente expressivo, superior a 160%, sinal claro do reforço da notoriedade externa da cidade.
Apesar disso, Braga mantém-se na 20.ª posição nacional em número de dormidas, a mesma que ocupava em 2024. “Crescer é positivo, mas manter a posição significa que outros destinos também estão a crescer a um ritmo semelhante ou superior. Braga precisa de transformar notoriedade em escala”, alerta Rui Marques.
Exportações sobem no ranking apesar da quebra no valor
No plano externo, os dados revelam uma realidade complexa. O valor total exportado diminuiu 2,6%, refletindo o contexto internacional adverso. Ainda assim, Braga subiu do 6.º para o 5.º lugar no ranking nacional dos municípios exportadores.
Este dado assume particular relevância, pois demonstra maior capacidade de resistência comparativa. Acresce o crescimento de 12% das exportações para fora da União Europeia, indicador de maior diversificação geográfica.
“A subida no ranking nacional das exportações demonstra a robustez do nosso tecido empresarial. Mesmo num contexto internacional exigente, as empresas de Braga mostram capacidade de adaptação e abertura a novos mercados”, afirma o Diretor-Geral da AEB.
Crescer já não basta
No conjunto, os dados de 2025 revelam uma economia resiliente, com crescimento moderado, forte dinamismo turístico e uma base produtiva sólida. Braga mantém-se entre os dez maiores mercados de consumo e entre os cinco principais municípios exportadores do país. Contudo, os indicadores apontam para uma nova fase de desenvolvimento.
“Braga tem hoje uma economia forte e diversificada. Mas entrou numa fase em que crescer já não basta. O desafio é transformar crescimento em liderança, reforçar competitividade e garantir que esta dinâmica se traduz em maior vitalidade urbana e em mais investimento produtivo. No atual contexto competitivo entre territórios, não basta crescer. É preciso crescer mais depressa do que os outros”, conclui Rui Marques.