Concelhos de baixa densidade crescem a ritmos diferentes

11 Mar 2026

Os dados de 2025 do Barómetro da AEB mostram que os concelhos de baixa densidade da região estão a evoluir e a ganhar nova dinâmica económica. O consumo aumentou, o turismo apresenta sinais positivos e, nalguns casos, o posicionamento competitivo nacional melhorou. Ainda assim, o crescimento não ocorre ao mesmo ritmo nem com a mesma escala em todos os territórios.

O principal pilar económico destes concelhos continua a ser o comércio e os serviços. O volume anual de compras realizadas através de TPA assume-se como o indicador mais expressivo da sua dimensão económica, superando largamente o peso das exportações. A economia de proximidade – comércio local, restauração e serviços – mantém-se como a base estrutural destes territórios.

Vila Verde destaca-se como o caso mais expressivo. Em 2025, ultrapassou os 330 milhões de euros em consumo e registou mais de 81 milhões de euros em exportações, subindo cinco posições no ranking nacional exportador. “Vila Verde evidencia uma base empresarial mais robusta e uma capacidade crescente de afirmação competitiva. Não cresce apenas em volume, está a ganhar posicionamento relativo”, sublinha Rui Marques, Diretor-Geral da AEB.

Já Póvoa de Lanhoso exportou cerca de 57 milhões de euros, ocupando o 119.º lugar nacional, mas o valor representa aproximadamente metade do registado em 2022, confirmando uma trajetória descendente nos últimos anos. “No caso da Póvoa de Lanhoso, o consumo interno assume hoje um papel ainda mais determinante. O desafio passa por revitalizar a base exportadora e reforçar a competitividade externa”, refere Rui Marques.

Amares apresenta uma economia fortemente assente no consumo local e na sua proximidade funcional a Braga, enquanto Vieira do Minho e Terras de Bouro evidenciam economias de menor escala, com maior dependência das atividades de proximidade e menor expressão exportadora.

No turismo surgem alguns dos sinais mais encorajadores. Póvoa de Lanhoso, Vila Verde e Vieira do Minho melhoraram o seu posicionamento no ranking nacional de dormidas, demonstrando maior capacidade de atração. Em sentido inverso, Terras de Bouro registou uma ligeira descida, sinal de que a competitividade turística exige esforço contínuo, mesmo em territórios com elevado potencial.

Para o Diretor-Geral da AEB, os dados revelam uma transformação em curso, mas também diferentes pontos de partida. “Estes concelhos estão a mudar e existem novas oportunidades de crescimento. Contudo, o sucesso futuro dependerá da capacidade de reforçar a base empresarial, atrair investimento e transformar o crescimento atual numa afirmação competitiva mais sólida e sustentável.”

O retrato de 2025 confirma, assim, que os territórios de baixa densidade estão em movimento. A questão central passa agora por garantir que essa evolução se traduz numa trajetória consistente de consolidação económica e reforço competitivo no contexto nacional.

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