Comércio perde peso no consumo europeu para serviços e experiências
26 Out 2026

O comércio a retalho representou 31,9% do consumo privado na União Europeia em 2025, abaixo dos 32,7% registados em 2024, perdendo peso pelo quarto ano consecutivo. Desde 2021, quando este indicador atingiu 35,3%, a redução acumulada foi de 3,4 pontos percentuais. A conclusão consta do estudo «European retail in 2025 and 2026», da NIQ Geomarketing (NielsenIQ).
Esta evolução ocorreu apesar do crescimento das vendas do setor. Segundo o estudo, o volume de negócios do retalho na União Europeia aumentou 2,1% em 2025, enquanto o poder de compra médio por habitante cresceu 3,3%, em termos nominais. Uma parcela crescente dos orçamentos familiares foi direcionada para serviços, viagens, lazer e restauração.
Os resultados apontam, assim, para uma alteração na distribuição da despesa das famílias. O aumento do rendimento disponível não se traduz automaticamente num crescimento equivalente das compras no comércio, num contexto em que os consumidores continuam atentos ao preço, à qualidade e à conveniência.
Comércio português cresce acima da média europeia
O volume de negócios do comércio a retalho em Portugal cresceu 5,7% em 2025, acima dos 2,1% registados no conjunto da União Europeia. Os dados constam do estudo «European retail in 2025 and 2026», da NIQ Geomarketing, que identifica uma alteração nas prioridades de consumo das famílias europeias, com maior peso dos serviços, das viagens, do lazer e da restauração.
O desempenho português ficou alinhado com o de Espanha, também com um crescimento de 5,7%, e superou o de mercados como França, com 2,4%, Alemanha, com 1,2%, e Itália, com 1%. Estas variações são expressas em valores nominais, pelo que incorporam o efeito dos preços e não correspondem necessariamente a um aumento equivalente das quantidades vendidas.
Retalho representa 38,8% do consumo privado em Portugal
O estudo revela também que o comércio a retalho representou 38,8% do consumo privado português em 2025, um valor superior em 6,9 pontos percentuais à média da União Europeia, situada em 31,9%. Portugal apresentou igualmente um peso superior ao de Espanha, com 34,5%, e de França, com 36,8%.
Estes resultados evidenciam a importância do comércio na distribuição da despesa das famílias portuguesas. Contudo, o maior peso do retalho não constitui, por si só, um indicador de maior poder de compra, refletindo também diferenças na estrutura do consumo entre países.
No conjunto da União Europeia, a parcela do consumo privado destinada ao retalho diminuiu pelo quarto ano consecutivo, passando de 32,7% em 2024 para 31,9% em 2025. Em comparação com os 35,3% registados em 2021, a redução acumulada foi de 3,4 pontos percentuais. Os dados apresentados para Portugal não permitem concluir se o país acompanhou esta trajetória de diminuição.
Mais rendimento não se traduz automaticamente em mais compras
A perda de peso relativo do retalho europeu ocorreu num contexto de crescimento das vendas e do poder de compra. Em 2025, o poder de compra médio por habitante na União Europeia atingiu 22.425 euros, mais 3,3% em termos nominais face ao ano anterior.
Segundo a análise da NIQ, os consumidores continuam a gastar, mas distribuem os seus orçamentos de forma diferente e avaliam mais cuidadosamente o benefício de cada compra. O preço mantém-se determinante, acompanhado por fatores como qualidade, conveniência, funcionalidade e confiança nas marcas.
O estudo identifica ainda uma maior relevância das promoções, uma menor fidelidade aos retalhistas e a valorização da proximidade e da facilidade de acesso. Compras mais pequenas e frequentes coexistem com a disponibilidade para pagar mais por produtos que ofereçam vantagens claras, nomeadamente na saúde, na origem regional ou na poupança de tempo.
Diferenciação e conveniência entre os desafios do comércio
Para o comércio de proximidade, estas tendências reforçam a importância de conhecer os clientes e de tornar clara a proposta de valor de cada estabelecimento. Atendimento personalizado, seleção de produtos, facilidade de compra e articulação entre canais físicos e digitais são dimensões a considerar na adaptação dos negócios.
Em Braga, esta leitura sugere também oportunidades para reforçar a ligação entre comércio, restauração, cultura e lazer. Transformar a presença de residentes e visitantes em oportunidades de compra exige uma oferta atrativa, acessível e integrada na experiência de utilização da cidade.
O crescimento português constitui um sinal favorável, mas a evolução europeia mostra que conquistar a preferência dos consumidores exige acompanhar mudanças que vão além do rendimento disponível.
👉 Consulte aqui o estudo da NielsenIQ