Artigo de opinião | O perfil das empresas em Portugal

25 Fev 2022

A Informa D&B lançou recentemente uma interessante publicação sobre o perfil das empresas portuguesas relativo ao ano de 2020 apelidada de “Firmografia”. A riqueza e diversidade dos dados merece a atenção de qualquer gestor público ou privado.

Antes de avançar para a interpretação de alguns números convém esclarecer que a dimensão das empresas se apura com base em dois critérios fundamentais: o número de trabalhadores e o volume de negócios.

As microempresas empregam menos de 10 trabalhadores e o volume de negócios não ultrapassa os 2 milhões de euros. Nas pequenas empresas o número de trabalhadores é inferior a 50 e o volume de negócios não excede os 10 milhões de euros. Já as médias empresas empregam até 250 trabalhadores e o volume de negócios é inferior a 50 milhões de euros. E, por fim, temos as grandes empresas que são aquelas que registam um número de trabalhadores e/ou volume de negócios superior ao escalão das médias empresas.

Partilho, assim, algumas ideias fortes que retive da análise à publicação que, em rigor, não traduzem  grande novidade, mas que encontram nestes números a quantificação e o rigor desejável para poderem servir de base à definição de estratégias de políticas públicas ao nível empresarial.

 

A generalidades das empresas portuguesas é de dimensão muito pequena

Na ótica do volume de negócios, das 358.484 empresas existentes em 31 de dezembro de 2020, 95% são microempresas (volume de negócios inferior a 2 milhões de euros) e 3,9% enquadra-se no escalão seguinte, ou seja, regista um volume de negócios entre 2 e 10 milhões de euros (pequena empresa).

Do ponto de vista do número de trabalhadores, os números mostram uma situação semelhante. Cerca de 87,6% emprega até 9 trabalhadores e 10,5% emprega de 10 a 49 trabalhadores, ou seja, na ótica do número de trabalhadores, 98,1% das empresas portuguesas é de micro ou pequena dimensão.

 

As grandes empresas são poucas, mas muito influentes

As empresas de grande dimensão em Portugal escasseiam. São somente 698, o que representa apenas 0,2% do universo empresarial. Porém, são responsáveis por 40,6% dos 326 mil milhões de euros de volume de negócios gerados pelas empresas portuguesas. Ao nível do emprego, a importância relativa das grandes empresas é mais baixa do que no volume de negócios, mas, ainda assim, relevante, uma vez que empregam 18,1% dos 2,8 milhões de pessoas que trabalham nas empresas portuguesas.

 

As médias e grandes empresas são as que mais vendem, as micro e pequenas empresas as que mais empregam

As médias e grandes empresas são responsáveis por 60,7% do volume de negócios gerado em Portugal, mas empregam apenas 34,5% dos trabalhadores. Em sentido inverso, as micro e pequenas empresas têm um peso de apenas 39,3% do volume de negócios, mas são responsáveis por 65,5% do emprego.

 

As empresas maduras são as que geram mais negócio e mais empregam

A idade média do tecido empresarial português ronda os 13 anos. A distribuição das empresas por antiguidade mostra-nos que 24,2% têm 20 ou mais anos (empresas maduras), 38,8% têm entre 6 e 9 anos (empresas adultas), 31,4% têm até 5 anos (empresas jovens) e 5,6% têm menos de um ano (start-ups).

As empresas maduras representam cerca de 60,9% do volume de negócios e 50,7% do emprego, já as ‘start-ups’ e empresas jovens são responsáveis por apenas 9,9% do volume de negócios e por 15,3% do emprego.

 

A forma jurídica mais comum é a sociedade por quotas, mas as sociedades anónimas são as que geram mais volume de negócios

Cerca de 61% das empresas portuguesas estão constituídas como sociedades por quotas e 34% como sociedades unipessoais. Porém, as sociedades anónimas, que apenas representam 4,7% das empresas, são responsáveis por metade do volume de negócios gerado pelas empresas portuguesas e por um terço do emprego.

 

O setor do comércio é o que gera mais volume de negócios e a indústria o que mais emprega

O setor do comércio continua a ser o que mais representativo do tecido empresarial português, com mais de 80 mil empresas (22,4%). Já a indústria representa cerca de 9,4% das empresas portuguesas, uma representatividade muito semelhante ao setor do alojamento e restauração (9,3%).

Na ótica do volume de negócios, o setor do comércio mantém-se como o mais relevante da economia portuguesa, sendo responsável por 36,2% deste valor, sendo seguido pelo setor da indústria com 24,4%. Já o setor do alojamento e restauração não vai além dos 2,5%.

Ao nível do emprego, a situação muda ligeiramente de figura. Com 22,1% do emprego promovido pelas empresas portuguesas, a indústria assume-se como o setor mais empregador. Segue-se o setor do comércio com 19,6% do emprego e, neste indicador, o setor do alojamento e restauração tem uma preponderância muito significativa sendo responsável por 8,2% dos empregados.

 

O número de empresas exportadoras é baixo e não cresce

Apesar de constituir um desafio estratégico para a economia portuguesa e dos diversos programas de apoio à internacionalização das empresas portuguesas, o número de empresas exportadoras mantém-se num nível baixo há muitos anos. Em 2020, eram cerca de 36 mil as empresas exportadoras, pouco mais do que há 4 anos atrás (mais 2.448 empresas). No entanto, a representatividade das empresas exportadoras no tecido empresarial português até diminuiu ligeiramente, ascendeu a 10,1% em 2020, quando em 2016 representava 10,9%.

Ao nível do volume de exportações, estes últimos 4 anos também não registaram uma grande evolução. Há 4 anos, as empresas exportadoras foram responsáveis por 58 mil milhões de euros de volume de negócio no mercado externo, e em 2020 este valor ascendeu a cerca de 60 mil milhões de euros.

– artigo de opinião do Diretor Geral da AEB, Rui Marques, no Jornal Correio do Minho

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