Artigo de Opinião I Um balanço do ano 2023
29 Dez 2023

Com Portugal e a zona euro em plena crise inflacionista, o ano foi marcado por subidas sucessivas das taxas de juro e pelo consequente agravamento do custo de vida dos portugueses.
No seguimento de um movimento iniciado em julho de 2022, o BCE subiu mais seis vezes as taxas de juro em 2023, interrompendo este ciclo no passado mês de setembro, depois de posicionar a taxa de juro diretora nos 4,5%.
Para as famílias com empréstimos bancários isto significou um agravamento significativo das suas prestações que prejudicou o rendimento disponível e a confiança dos portugueses, situação que ficou evidente na forma como o consumo privado abrandou a partir do primeiro trimestre deste ano, lançando a economia para uma situação de quase estagnação que ainda persiste.
Para as empresas, o aumento dos custos de financiamento tornou muito mais difícil a gestão da sua tesouraria e a realização de investimentos (em muitos casos adiados para um período de maior fulgor económico).
Nos últimos meses, a inflação em Portugal recuou de forma rápida, situando-se nos 2,2% no passado mês de novembro quando há um ano se situava nos 10,2%. Em princípio com este nível de inflação, novos aumentos de taxas de juro devem estar afastados das decisões do BCE, existindo mesmo a expectativa de que, dentro de alguns meses, se possa iniciar uma descida para estimular o crescimento e o investimento.
Uma crise política
Em novembro, o país mergulhou numa inesperada crise política com a apresentação da demissão de António Costa, na sequência duma investigação judicial que tinha como alvo os negócios do data center de Sines, do lítio e do hidrogénio verde e que levou a polícia à residência oficial do primeiro-ministro, mais precisamente à sala de trabalho do seu antigo chefe de gabinete.
O Presidente da República aceitou a demissão e marcou eleições legislativas antecipadas para 10 de março de 2024, permitindo, porém, que o Parlamento aprovasse o Orçamento do Estado para o ano seguinte.
A incerteza acerca da estabilidade da solução governativa que sairá das próximas eleições é enorme, deixando os portugueses apreensivos e preocupados com o futuro.
O impasse trágico na Ucrânia e o eclodir de mais um conflito armado
A nível internacional, o conflito na Ucrânia teima em persistir e não se antevê um desfecho célere nem um processo de paz que ponha termo à invasão russa e a situação no Médio Oriente voltou a efervescer, com a “guerra Israel-Hamas”, provocando uma nova crise no preço dos combustíveis e uma enorme instabilidade no comércio internacional.
O desempenho das atividades económicas em Braga
Em Braga, a economia apesar de ter abrandado ao longo do ano, a verdade é que manteve um registo de crescimento em praticamente todos os setores de atividade.
Nos primeiros dez meses do ano, as exportações da indústria bracarense seguem a crescer 11% (face ao período homólogo), em contraciclo com o que se regista em Portugal e na maioria dos concelhos exportadores que se encontra em retração no valor das suas exportações face ao ano de 2022. Este desempenho extraordinário deve-se essencialmente à especialização setorial das empresas exportadoras do concelho de Braga assente na tecnologia, engenharia e construção, automação, metalomecânica e acessórios para a indústria automóvel, áreas que têm sido menos afetadas pela crise internacional.
No setor do comércio e serviços, as vendas registam um crescimento de 8% nos primeiros onze meses do ano e os setores do alojamento e da restauração seguem a crescer 10% e 34%, respetivamente, no mesmo período.
A vitalidade da economia bracarense é também atestada pelo número relativamente baixo de desempregados inscritos no IEFP (cerca de 5.900 no passado mês de novembro) e pela dinâmica na constituição de novas sociedades (1.035 novas empresas até novembro, um aumento de 12% face a igual período do ano transato).
Com o ano 2023 a terminar e olhando para trás podemos dizer que foi um ano difícil e desafiante, mas, apesar do contexto adverso, a economia bracarense teve um desempenho francamente positivo, provando que Braga é na atualidade uma das melhores cidades de Portugal e da Europa para se viver, trabalhar, visitar e investir.