Principais resultados e conclusões do projeto Ativar Braga – Centros Comercial de Primeira Geração
20 Mai 2019

Concluído o Ativar Braga, o diretor geral da Associação Comercial de Braga, Rui Marques, faz um balanço positivo do projeto que trouxe os centros comerciais de 1.ª geração para a ordem do dia. Está dado o primeiro passo para chamar a atenção para um sector do comércio que precisa ser revitalizado e reabilitado.
Terminado o projeto Ativar Braga, que balanço faz?
Rui Marques – O nosso principal objetivo foi concretizado. O projeto nasce sobretudo para colocar o tema na agenda. Conseguimo-lo. Os centros comerciais de 1.º geração são equipamentos bem localizados, na maior parte dos casos, mas foram ficando abandonados e desatualizados.
Um dos grandes constrangimentos a qualquer atuação é a propriedade que é privada e muito fragmentada. São também estruturas que não têm unidades de gestão. Existe um condomínio, mas que assume apenas os serviços básicos de apoio, como limpeza, iluminação e eventualmente segurança.
Falta uma equipa de gestão que seja capaz de consertar esforços e identificar estratégicas para tornar estes centros mais competitivos e apelativos.
Como é que o projeto contribuiu para isso?
RM- Quando apresentamos a candidatura ao Norte 2020, ela previa duas ações. Primeiro, a realização de um estudo que fosse capaz de fazer um diagnóstico da situação e, sobretudo, identificar pistas para propostas de recomendação para futuro. Tinha uma segunda componente de capacitação das empresas instaladas nestes centros comerciais ou que pretendessem aí instalar-se.
Que soluções aponta o estudo?
RM- O estudo, desenvolvido por uma equipa independente, aponta a possibilidade de haver uma solução musculada, ou seja, de haver alguém que compre todas as frações, reabilite e possivelmente lhe possa dar novos usos. Percebemos de imediato que esta era uma solução difícil de concretizar devido à fragmentação da propriedade e à dificuldade que é chegar a acordo com tantos intervenientes.
Portanto, seguiu-se uma linha diferente de pensamento de apontar pistas e de contaminar positivamente estes centros a partir de dentro, contando com as pessoas que já lá estão. É uma abordagem completamente diferente, é verdade, mais difícil, mas eu diria que algumas das grandes linhas de ação passam pela formação e capacitação das pessoas do centro.
Nós achamos que é possível, no futuro, criar unidades de gestão destes centros comerciais e criar uma rede a título de experiência piloto de centros comerciais de 1.º geração. Uma rede que possua uma comunicação comum, mas naturalmente destacando a complementaridade destes centros, cada um com as suas próprias especificidades.
Acreditamos que depois de serem mais frequentados, terem novas lojas, terem empresários mais capacitados e entusiasmados, vai acabar por surgir um movimento de reabilitações dos espaços.
Uma das dimensões do projeto foi a capacitação das pessoas?
RM – Selecionamos cinco grupos formados, cada um, por 10 empresários. Ao todo acabamos por apoiar 51 empresas e fizemos processos de capacitação, através sobretudo de técnicas de coaching muito individualizado num total de 1500 horas.
Ao todo foram 83 pessoas das 51 empresas a participar neste processo. Cerca de 20% dessas horas foram investidas em sessões de grupo e 80% em sessões individuais, especificamente para ajudar as empresas de cada negócio a melhorar o desempenho, indo ao encontro daquilo que eram as efetivas necessidades de cada empresa. Ou seja, foram feitos diagnósticos e planos de ação à medida de cada empresa.
O processo de capacitação desenvolveu-se ao longo de seis meses e teve um acolhimento extraordinário. Num inquérito de avaliação às empresas que participaram disseram 100% que das atividades desenvolvidas no projeto foram úteis ou muito úteis. Disseram-nos também, 100%, que era importante ou muito importante a continuidade do projeto. Mas, à questão se o projeto tinha contribuído para mudança no centro comercial, metade disse que não. Isto também vem muito se calhar pelas expectativas que as pessoas tinham que gostariam que pudesse haver intervenção e reabilitação física dos edifico, mas este projeto tinha um envelope financeiro pequeno e não podia intervir até porque estamos a falar de propriedade privada.
Ficou lançada uma semente?
RM- Chegamos ao fim deste projeto com a sensação de esta foi apenas a primeira etapa. Lançámos a semente, despertámos de forma bem conseguida a sociedade para o problema que passou a entrar na agenda política, quer ao nível do urbanismo quer das atividades económicas.
Encontramos já alguns instrumentos financeiros, no âmbito dos quais se fizeram candidaturas novas, em parceria com o Município, a fundos europeus, diretamente a projetos decididos em Bruxelas, para tentar encontrar plataformas mais robustas para uma intervenção mais de fundo. De qualquer maneira, a ACB está também a tentar encontrar um programa já em Portugal para que se possa intervir.
Porém, pode dizer-se que o projeto acaba por ter continuidade com outra iniciativa?
RM- Sim. Vamos tirar partido da POP UP Store, junto ao posto de Turismo. É um espaço de divulgação temporária de atividades económicas e nos próximos meses vai ficar afeto à ativação e negócios destes centros comerciais de 1.ª geração. É uma forma de ajudarmos estas empresas a vir para rua, a mostrar o seu produto, numa zona de Braga com um tráfego pedonal muito relevante. O nosso objetivo é que até ao final do ano passem 20 empresas pela POP UP Store.
Consulte AQUI o Estudo prospetivo e de benchmarking
Consulte AQUI o Relatório final do Programa de capacitação do tecido empresarial dos CC1G
Programa financiado por:
