Noite Branca de Braga – um evento estratégico e impactante
16 Jun 2023

De 8 a 10 de setembro realiza-se a 10ª edição da Noite Branca de Braga. A iniciativa teve a sua génese em 2012, no âmbito da organização da Capital Europeia da Juventude, e rapidamente se impôs como um dos maiores eventos realizados em Braga e na Euro Região Galiza-Norte de Portugal. Ano após ano, a Noite Branca de Braga tem ganho a preferência de cada vez mais visitantes e gerado um impacto económico cada vez mais significativo.
Estranhamente na última reunião do executivo municipal, Adolfo Macedo, vereador do Partido Socialista, veio a público colocar em causa a importância do evento, afirmando que este representaria uma “época de pesadelo” para o comércio tradicional da cidade, “só servindo os interesses das cervejeiras e das barraquinhas”. Segundo este autarca, “a Noite Branca de Braga faz diminuir drasticamente o ganho do comércio tradicional, nomeadamente no setor da restauração”.
O impacto deste evento na economia é de tal forma evidente e consensual em todos os quadrantes da nossa sociedade e do nosso espectro político, que torna aquelas apreciações incompreensíveis e até desprovidas de sentido.
Esta situação levou-me a refletir sobre o que poderá ser intitulado de um evento de sucesso. Não havendo propriamente um modelo estabelecido para se fazer essa aferição, creio, no entanto, que existem três dimensões fundamentais que devem ser tidas em conta nesta avaliação.
Em primeiro lugar, importa avaliar o enquadramento estratégico do evento, nomeadamente se está alinhado com a estratégia global da cidade ou da entidade e se permite cumprir algum objetivo fundamental da estratégia. A este nível é por demais evidente a importância da Noite Branca de Braga: permite afirmar Braga como uma cidade jovem e vibrante; promove a cultura e facilita o acesso a bons espetáculos aos bracarenses, fomentando hábitos de frequência de espetáculos culturais; promove uma melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e reforça o sentimento de pertença dos bracarenses com a sua cidade; e permite fazer uma ação de marketing territorial a nível nacional e internacional verdadeiramente impactante.
Se é verdade que este evento não é propriamente original, é também verdade que tem um caráter singular no panorama das Noites Brancas, sendo comummente apontada como a maior, e eu acrescento a melhor, Noite Branca de Portugal. Com mais de 150 atividades de programação cultural das diversas artes, a Noite de Branca de Braga é mesmo um dos maiores eventos culturais do país e garantidamente dos mais concorridos.
Em segundo lugar, é relevante avaliar o impacto económico do evento. Sendo um evento financiado maioritariamente pelo erário público, faz todo o sentido perceber se a despesa assumida pela Câmara Municipal é um custo ou um investimento. A este nível, é inegável a importância do evento na dinamização da atividade económica do concelho. Os dados disponibilizados pela SIBS à Associação Empresarial de Braga demonstram um aumento muito significativo do número de pagamentos eletrónicos e do valor global de pagamentos efetuados, verificável em praticamente todos as tipologias de negócio de venda a público, mas com maior intensidade nos estabelecimentos de bebidas e restauração, nas unidades de alojamento, no comércio ligado à moda e acessórios e dos produtos alimentares e no setor dos serviços dos cuidados pessoais.
De igual modo, verifica-se um aumento muito acentuado no levantamento de numerário na rede de máquinas de multibanco instaladas no concelho que, conjuntamente com o aumento dos pagamentos eletrónicos, permite estimar um impacto económico deste evento superior a 10 milhões de euros. Dito de outra maneira, se por algum motivo não se realizasse a Noite Branca as empresas de Braga iriam faturar menos 10 milhões de euros durante esse período.
Trata-se, por isso, de um impacto verdadeiramente extraordinário se tivermos em consideração o valor do investimento assumido pela Câmara Municipal, bem como a duração do evento (basicamente o retorno é gerado durante o período de realização do evento – 3 dias). Numa lógica de avaliação do retorno do investimento, por cada euro investido, a Noite Branca promove um retorno de vinte euros para a cidade. Assim, a despesa assumida pelo Município de Braga é um bom investimento, na medida em que é um investimento estratégico e simultaneamente reprodutivo que faz com a Noite Branca de Braga apresente um dos mais elevados rácios de retorno económico no mapa dos eventos de dimensão relevante organizados em Portugal.
Mas, os ganhos não decorrem exclusivamente da ativação imediata da atividade empresarial, o impacto mediático do evento é também ele gerador de valor económico e potenciador de aumento da atratividade do destino Braga que trará benefícios a curto, médio e longo prazo.
Por último, mas não menos importante, importa avaliar a adesão ao evento e a imagem global que este projeta. Da primeira edição até à última, fez-se um percurso absolutamente notável. Em 2012, a Proteção Civil estimava a participação de cerca de 80 mil pessoas, o que foi considerado, unanimemente, um grande sucesso. De lá para cá, o número de pessoas que visita o evento aumentou de forma exponencial, tendo, em 2022, ultrapassado o milhão de pessoas nos três dias de Noite Branca – o equivalente a cinco vezes a população de Braga, o que significa que, para além da adesão massiva das famílias bracarenses, este evento atrai milhares de visitantes, seja dos concelhos vizinhos, sejam de pontos mais distantes de Portugal ou de outros países.
Estes números só são possíveis de atingir porque quem visita este evento, normalmente regressa. Porque é um evento verdadeiramente memorável e marcante. Porque é um evento que projeta uma imagem de jovialidade, de inovação, de futuro, de festa, de cultura, de animação e de um dinamismo que contagia e apaixona as pessoas. Porque é um evento que promove Braga com um dos melhores destinos para se viver, visitar ou investir em Portugal.
Creio, por isso, que é mais do que justo referir que a Noite Branca de Braga é um evento de enorme sucesso e que constitui uma excelente prática, a nível nacional e internacional, de organização de eventos municipais de promoção da cultura, que estimulam a economia e aumentam a qualidade de vida da população, de forma sustentável e estratégica. Bem-haja, por isso, a Noite Branca e que se repita por muitos anos para bem de toda a comunidade.
artigo de opinião do Diretor Geral da AEB, Rui Marques, no Jornal Correio do Minho