Opinião | A urgência de uma estratégia para a valorização do ensino profissional

23 Mai 2025

A escassez de mão de obra qualificada é, há vários anos, uma das principais preocupações das empresas da região de Braga. Esta realidade estrutural tornou-se ainda mais evidente com o dinamismo recente da nossa economia e com a rápida transformação tecnológica que atravessa diversos setores de atividade. A verdade é simples: sem pessoas qualificadas, não há produtividade, nem crescimento sustentável.

A Associação Empresarial de Braga (AEB) tem acompanhado de perto esta problemática, ouvindo os empresários e procurando respostas junto de escolas, centros de formação e decisores políticos. As empresas continuam a sentir enormes dificuldades em encontrar profissionais com as competências certas — seja na indústria, comércio, turismo, serviços ou nas áreas mais tecnológicas. Este défice compromete a execução de projetos, atrasa investimentos e penaliza severamente a competitividade das empresas portuguesas.

Este é um problema que não se limita ao ensino profissional ou superior. Começa, de forma silenciosa, logo na base: na escola básica e secundária. É nesse momento que se moldam atitudes perante o trabalho, se constroem aspirações e se define, muitas vezes, o rumo profissional dos jovens. Se falharmos aí — se não houver uma verdadeira orientação vocacional, se as escolas continuarem distantes das empresas, se não valorizarmos todas as vias de ensino — estaremos a perpetuar o desajuste entre o sistema educativo e o mercado de trabalho.

A crítica ao atual modelo educativo, tantas vezes feita pelos empresários, não é um capricho: é o reflexo do desfasamento entre o que se ensina e o que a economia realmente precisa. As antigas escolas comerciais e industriais deixaram uma marca precisamente porque estavam ligadas à realidade das empresas e preparavam jovens para profissões concretas. O mundo mudou, sim, mas o princípio continua atual: formar bons profissionais exige contacto com o mundo real, com a dimensão prática do trabalho, com uma cultura de exigência e com a valorização das competências técnicas.

Neste contexto, é fundamental reabilitar e dignificar o ensino profissional. Infelizmente, ao longo do tempo, esta via tem sido percecionada como uma “alternativa menor”, destinada a alunos com menos sucesso académico. Isso tem de mudar. O país precisa, e muito, de profissionais intermédios qualificados. Para isso, é preciso garantir formação exigente, com bons equipamentos, professores capacitados, programas atualizados e ajustados aos desafios atuais da economia, estágios em contexto real e ligação estreita às empresas.

O papel das entidades privadas e associativas na formação profissional tem sido decisivo. A sua proximidade ao tecido empresarial permite-lhes reagir com agilidade às necessidades concretas do mercado. A AEB é disso exemplo. Com um historial sólido na área da formação, temos cursos ativos em áreas críticas como Cozinha/Pastelaria, Mecatrónica Automóvel e Comunicação Digital, sempre orientados para a empregabilidade.

Sabemos, contudo, que a formação profissional não pode ser um esforço isolado. O Estado tem um papel crucial na regulação, no financiamento e na garantia de acesso equitativo. Defendemos, por isso, um modelo de cooperação entre os setores público, privado e associativo — um verdadeiro ecossistema de qualificação, dinâmico e alinhado com as necessidades do território.

Formar é investir. E investir em qualificação é garantir competitividade, inovação e desenvolvimento sustentável. A AEB está comprometida com esta missão e continuará a trabalhar, lado a lado com empresas e entidades públicas, para assegurar que o talento é não apenas formado, mas também valorizado e retido na nossa região.

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