Opinião | Vinho Verde: Um ativo estratégico que exige visão, cooperação e ambição
05 Dez 2025

Muito mais do que um produto de consumo, na atualidade o Vinho Verde é um símbolo identitário do Minho que se afirma cada vez mais como uma poderosa alavanca de desenvolvimento económico, social e cultural. Promovê-lo é promover o território, é reforçar a restauração, o turismo e o comércio local, é acrescentar valor e singularidade à imagem da nossa região.
Quem os visita procura autenticidade e paisagem, mas procura também inovação, experiências sensoriais e um estilo de vida que conjuga tradição e modernidade. E o Vinho Verde é o fio condutor perfeito dessa vivência, sendo capaz de aliar o património cultural da região ao dinamismo e à inovação da gastronomia e do turismo. De representar, num copo, o que é o Minho.
Apesar da espetacular evolução na produção, na distribuição e nas exportações do setor, há ainda um vasto potencial por explorar. É necessário que mais quintas abram as suas portas a visitantes, que surjam novos projetos de enoturismo e que se criem experiências gastronómicas distintivas em torno do Vinho Verde, capazes de valorizar a sua diversidade e reforçar a sua presença na restauração e na identidade gastronómica da região. Só assim se consolidará a ligação virtuosa entre vinho, gastronomia e turismo, transformando-a num verdadeiro motor de desenvolvimento económico regional.
Mas, para alcançar este desiderato de forma célere e consistente, são necessárias políticas públicas e programas de apoio desenhados para explorar todo o potencial do setor. Falta, por isso, uma aposta clara e estruturada no enoturismo — claramente uma das áreas com maior capacidade de gerar valor, emprego e notoriedade internacional.
Enquanto outras regiões vitivinícolas, como o Dão ou o Alentejo, beneficiaram de apoios à criação de unidades de alojamento associadas ao vinho e à inovação na restauração, os Vinhos Verdes continuam a carecer de instrumentos de financiamento direcionados a estas dimensões essenciais. Estamos perante uma fileira que cruza agricultura, indústria, turismo e cultura — um ecossistema económico de base local, mas com impacto crescente. São urgentes, por isso, políticas públicas mais ambiciosas, capazes de reconhecer o vinho como ativo estratégico.
Também a cooperação entre agentes regionais é decisiva para afirmar esta visão. Persistem ainda demasiadas abordagens centradas numa lógica municipal, quando o potencial está na escala regional. O “bairrismo” é legítimo e até saudável, mas o tempo pede outra ambição.
A AEB tem procurado ser um elo de ligação entre produtores, empresários da hotelaria e da restauração, autarquias e instituições de ensino, promovendo o trabalho em rede e a criação de uma narrativa comum. Só assim o Minho poderá apresentar-se ao país e ao mundo como uma região coesa, com identidade, dimensão e impacto económico real.
As iniciativas conjuntas da AEB e da Câmara Municipal de Braga, como o Vinho Verde Fest e o Verde Cool, são exemplos concretos dessa abordagem integrada, procurando afirmar Braga como palco de excelência para os produtores de toda a região demarcada — não para privilegiar a sub-região a que pertencem, mas para valorizar o conjunto. Estas iniciativas procuram também consolidar a imagem de qualidade e diversidade do Vinho Verde, posicionando-o como o vinho de eleição da restauração e dos consumidores da região, e associando-o a estilos de vida modernos, autênticos e profundamente ligados à cultura e à gastronomia minhota.
O Vinho Verde é um património vivo do Minho. Promovê-lo, protegê-lo e valorizá-lo é investir no futuro económico e cultural da região. É tempo de lhe dar o lugar que merece — no território, na política e no coração dos portugueses.