Artigo de Opinião | Melhores empresários, melhores empresas, melhor país
18 Mai 2022

No início do corrente mês, no âmbito das minhas funções de Presidente da Assembleia Geral da Associação Empresarial de Braga (AEB, herdeira natural do extraordinário legado da ACB – Associação Comercial de Braga) fiz um apelo a todas as empresas associadas para que comparecessem no ato eleitoral, apesar de haver uma única lista, encabeçada pelo empresário Daniel Vilaça. Apesar desse apelo ter tido algum eco e a votação ter (mais do que) duplicado a votação do ultimo ato eleitoral, entendo que o esfoço de mobilização tem que continuar e que têm que ser os dirigentes associativos (da AEB ou de qualquer outra associação) a mobilizar os empresários para em primeiro lugar se associarem e depois … estarem presentes nas Assembleias Gerais e no momento da votação dos corpos sociais.
Para a AEB este é um momento de viragem, mesmo que se olhe para os novos órgãos e se percecione a continuidade da maioria dos elementos que já estavam na Direção. É um momento de viragem e tal só é possível pela extraordinária dimensão associativa do ainda Presidente da Direção, Domingos Macedo Barbosa.
Este empresário “pegou” na batuta da ACB quando esta se encontrava numa péssima situação financeira e, rodeado de vários empresários da mesma cepa, com o apoio de uma incrível equipa de Recursos Humanos liderada pelo Diretor Geral Rui Marques, conseguiu superar as dificuldades e reerguer uma instituição que caminha hoje para os 200 anos. Como empresário digo que a nossa cidade, a nossa região, é devedora a homens da estirpe de Macedo Barbosa, empresário que não fugiu às dificuldades e com enorme risco empresarial e pessoal (situação extensiva a outros membros dos corpos sociais) deu o corpo às balas e evitou na altura a quase inevitável extinção da ACB.
Por isso sim, falo em viragem, em viragem geracional. Após o trabalho mais difícil estar feito, foi preciso uma enorme firmeza de caracter para o homem que polarizou a reconstrução da ACB (entretanto transformada em AEB) dizer …”o meu trabalho está feito, agora é tempo de uma geração mais nova assumir os destinos da casa” !
Para quem como eu é empresário desde o já longínquo dia em que terminei o meu curso na nossa Universidade do Minho, reconheço que não é fácil deixar a liderança e o poder e por isso tenho que enaltecer o mérito de alguém que disse presente num momento terrível da vida da ACB e soube sair de cena num momento de bonança da já AEB. Por isso, muito obrigado e o meu profundo reconhecimento, caro amigo Dr. Domingos Macedo Barbosa.
Como referi, esta viragem para uma liderança mais nova (que não inexperiente, bem pelo contrário) por parte da AEB traduzir-se-á com certeza na continuação do crescimento da associação que, ao contrário do que por vezes se diz, não tem como alvo apenas as micro e pequenas empresas, mas sim todas as empresas e empresários, que não medimos pela sua dimensão mas sim pela sua capacidade de criar riqueza nos vários concelhos onde a AEB atua (Braga, Amares, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho).
Por isso o meu apelo é para todos os empresários, independentemente da dimensão dos seus negócios : todos são desejados no movimento associativo empresarial (seja qual for a associação) pois só a junção de esforços permitirá que continuemos a passar a mensagem que são as empresas que criam riqueza, pois são estas que criam trabalho, são estas que exportam e são estas os principais agentes de desenvolvimento de uma comunidade.
Mal está um país em que um orçamento de estado ignora as empresas, independentemente da sua dimensão, não percebendo que o sacrifício de rentabilidade tem limites em qualquer organização e que não criando condições para ter empresas mais competitivas, teremos sempre pior emprego. Sempre ! Não há bom emprego sem um tecido empresarial sólido e por isso partilho uma das minhas (e julgo que não apenas minha) preocupações a este nível : a necessidade de elevar competências ao nível da gestão de topo das empresas. Admitindo desconhecer se o que abaixo se refiro se mantém em 2022, recorro a um estudo de 2017 do Observatório das Desigualdades do ISCTE que concluiu que “os empresários portugueses têm, em média, menos qualificação escolar que os trabalhadores” facto que sendo em si preocupante é ainda agravado pelo facto de quase 60% dos empresários não terem sequer o 9º ano. Este é um ponto claro de preocupação das associações empresariais e no caso da AEB será com certeza uma pedra basilar da estratégia da nova direção como julgo que deveria ser de todas as direções de associações empresarias, independentemente da região em que operam e do facto de serem sectoriais ou horizontais.
Sem elevarmos de forma drástica o nível de conhecimento de todos nós, empresários, dificilmente teremos melhores empresas e melhor emprego. Aqui, há claramente um triângulo virtuoso que tem que funcionar e não esperemos que seja “o mercado” a resolver a questão. Teremos que ter sempre os empresários, representados pelas associações empresariais, as instituições de ensino superior publico (e na nossa região temos duas instituições com forte interação com o mercado empresarial – IPCA e UM) e o estado, através da disponibilização de programas de formação/reciclagem dirigidos às necessidades dos empresários, de forma a elevarmos drasticamente e a curto prazo os seus skills de gestão, incluindo aqui a gestão de pessoas. Entendo que este tem que ser um desígnio nacional nos próximos anos, mas não de forma esparsa e localizada na região A ou B. De pouco nos serve, numa região tão dinâmica como a nossa, aplicar programas de promoção de capacidades de gestão dos empresários se no resto do país tal não avançar à mesma velocidade.
No movimento associativo empresarial saberemos com certeza dizer presente e “ir a jogo”; tenho a certeza que as instituições do ensino superior saberão responder a este repto … resta saber a recetividade do poder central para lançar um programa com ambição e que seja efetivo e descentralizado. Quero acreditar que sim e que este triângulo virtuoso irá funcionar em pleno.
– artigo de opinião do Presidente da Mesa da Assembleia Geral da AEB, Pedro Fraga