Artigo de opinião | Um ano promissor para o turismo de Braga
21 Abr 2023

Os números já conhecidos da atividade turística no 1.º trimestre de 2023 no município de Braga apontam para mais um ano de crescimento e desenvolvimento do setor.
Ao nível das dormidas, segundo os dados provisórios divulgados pelo INE, nos primeiros dois meses do ano a hotelaria de Braga recebeu mais 9 mil dormidas do que em igual período do ano anterior, o que representa um aumento de 15% da procura.
De uma forma geral, as expectativas dos agentes turísticos da região para o ano de 2023 são bastante positivas, sendo relativamente expectável que este ano se venha a registar o melhor resultado de sempre neste setor – entre as 700 mil a 800 mil dormidas.
Os dados apresentados pela SIBS, relativos aos pagamentos eletrónicos realizados no concelho de Braga no 1.º trimestre, também confirmam um ano promissor para o setor. De janeiro a março foram transacionados no setor do alojamento cerca de 3,6 milhões de euros, o que significa um crescimento de cerca de 15% face ao período homólogo.
Analisando uma séria mais longa, nomeadamente os últimos 4 anos, verificamos que o valor transacionado na hotelaria tem registado sucessivamente taxas de crescimento superiores à evolução do número de dormidas, o que significa que para além do crescimento decorrente do aumento da procura, tem sido possível aumentar a receita por dormida.
Outra tendência verificável nesta série é o aumento do número de compras pagas de forma eletrónica (cartões bancários ou MBWay) que, para além do aumento da procura, revela uma opção cada vez mais frequente por parte dos clientes por meios de pagamentos digitais. O aumento da frequência deste tipo de pagamentos, inclusive para valores baixos, tem levado a que o valor médio por compra venha a diminuir ligeiramente ao longo dos últimos anos – na casa dos 82€ em 2022, face aos 86€ em 2021 ou 89€ em 2019.
Uma análise mais pormenorizada de quem nos visita permite-nos perceber igualmente algumas tendências interessantes:
– o destino Braga está a internacionalizar-se e os turistas estrangeiros têm um peso cada mais relevante no negócio; em 2022, e pela primeira vez, o número de dormidas de estrangeiros (cerca de 51% do total de dormidas) suplantou as dormidas de cidadãos portugueses;
– do ponto de vista do número de dormidas, o mercado emissor mais importante para a região continua a ser o espanhol (26,5% do total dos estrangeiros em 2021), mas a perder quota de mercado continuamente para outros mercados de “proximidade” como o francês (10,7%) ou o brasileiro (9,0%); de forma surpreendente, provavelmente devido ao “efeito Erasmus”, o 2º mercado emissor mais importante para Braga é a Polónia (14,0%), que conjuntamente com a Bulgária (3,1%), Eslovénia (2,9%), Roménia (2,5%) e Turquia (2,2%) representam um ¼ do total das dormidas de estrangeiros no município de Braga;
– se a perspetiva for a do valor das transações, o ranking muda bastante de figura. Espanha continua a ser o mercado mais importante (25,7% do valor das transações em 2022), mas os mercados que se seguem passam a ser a França (20,6%), o Reino Unido (10,9%), a Alemanha (7,4%), os Estados Unidos da América (5,4%), o Brasil (3,9%) e a Suíça (3,7%); os valores médios de compra mais elevados são oriundos dos turistas da Alemanha, Suíça, Irlanda e Canadá (todos acima dos 144 euros por transação). Os valores mais baixos, no top 15 dos mercados emissores, são os realizados pelos turistas espanhóis e brasileiros (ambos abaixo dos 100 € por transação);
– em termos nacionais, os turistas oriundos dos municípios de Lisboa, Guimarães, Porto, V. N. Gaia, Barcelos, Cascais e Sintra constituem o top 7 dos mercados mais importantes para a hotelaria de Braga (ano 2022). Sem grande surpresa, os valores médios de compra mais elevados são oriundos dos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (acima dos 84€ por transação). Em sentido inverso, o valor mais baixo é o dos hóspedes do concelho do Porto (na casa dos 55€ por transação);
– relativamente ao perfil do turista nacional que se hospeda em Braga (análise realizada para o período de 2019 a 2022), sabe-se que é um turista com poder de compra, já que cerca de 50% destes turistas habitualmente gasta mais de 1.000 € por mês em pagamentos eletrónicos; sabe-se, igualmente, que é um turista leal ao destino Braga, uma vez que para 85% destes clientes, durante este período, as suas despesas em alojamento no território nacional decorreram praticamente apenas em Braga (entre 75% e 100% dos gastos).
Braga é hoje um dos destinos turísticos ibéricos mais vibrantes e o seu potencial de crescimento ainda é considerável. Importante é que continue a crescer como tem feito até aqui: de forma gradual e sustentada, procurando promover uma maior e melhor integração entre os residentes e os turistas, melhorando a qualidade de vida dos residentes e promovendo uma retenção relevante de valor para a comunidade em resultado da atividade turística.
artigo de opinião do Diretor Geral da AEB, Rui Marques, no Jornal Correio do Minho