Estudo AEB revela que São João de Braga gerou um impacto económico estimado de 18,3 milhões de euros

18 Ago 2026

As Festas de São João de Braga geraram, em 2026, um impacto económico incremental estimado de 18,3 milhões de euros, face à atividade económica registada numa semana média do ano. Os dados resultam de um estudo apresentado esta terça-feira, 18 de agosto, pela Associação Empresarial de Braga (AEB), que analisou as transações eletrónicas realizadas durante o período das Festas.

No total, foram registados 54,6 milhões de euros em volume económico ao longo dos oito dias analisados, entre 17 e 24 de junho, através de cerca de 1,5 milhões de pagamentos eletrónicos. Face à semana média de 2026, os pagamentos eletrónicos aumentaram 16,7%. A análise revela ainda uma evolução positiva face a 2025: a atividade económica associada ao período das Festas cresceu 9,9%, enquanto o número de pagamentos eletrónicos aumentou 16,5%.

Quatro em cada dez euros vieram de fora de Braga

Um dos principais indicadores do estudo prende-se com a capacidade de atração das Festas de São João. 40,5% dos pagamentos eletrónicos registados tiveram origem fora do concelho de Braga, demonstrando o peso dos visitantes nacionais e estrangeiros na dinâmica económica gerada pelo evento.

Do volume total registado, 32,5 milhões de euros tiveram origem em cartões associados a residentes em Braga, enquanto 19 milhões de euros foram provenientes do resto do país e 3,2 milhões de euros de cartões estrangeiros.

O consumo de origem nacional cresceu 13,9% face a 2025, enquanto o consumo associado a cartões estrangeiros registou um crescimento ainda mais expressivo, de 20%.

Entre os mercados internacionais, a França liderou em volume de consumo, enquanto os Estados Unidos e o Brasil se destacaram entre os mercados com maiores crescimentos face ao ano anterior.

Para Rui Marques, Diretor-Geral da AEB, os resultados confirmam a dimensão económica que as Festas de São João assumem para Braga.

“Os números demonstram de forma muito clara que o São João é muito mais do que uma celebração cultural e popular. É também um importante motor de atividade económica, com capacidade para mobilizar consumidores, visitantes e turistas e gerar impacto direto em diferentes setores da economia local.”

Segundo Daniela Pereira, Presidente do São João de Braga, os resultados evidenciam também a capacidade das Festas para afirmar Braga enquanto destino de atração e vivência, reforçando a importância de continuar a potenciar esta dimensão.

“O São João é uma festa profundamente enraizada na identidade de Braga, mas é também uma celebração com uma enorme capacidade de atração. Estes resultados mostram que conseguimos trazer pessoas de diferentes pontos do país e do estrangeiro para viver a cidade, participar nas nossas tradições e contribuir para a dinâmica económica local. É um resultado que nos deixa muito satisfeitos e que reforça a importância de continuar a valorizar e projetar o São João de Braga.”

Restauração foi um dos setores mais beneficiados

A restauração destacou-se entre os setores analisados, registando 6,47 milhões de euros em pagamentos eletrónicos durante o período estudado, mais 3,9% do que em 2025. A intensidade diária da atividade no setor aumentou 34,1% face à média, com particular destaque para os dias 20 e 23 de junho, que, em conjunto, geraram 2,7 milhões de euros em pagamentos na restauração.

A noite de 23 de junho, a Noitada de São João, foi o dia de maior movimento no setor, com 1,49 milhões de euros em pagamentos, seguida pelo sábado anterior, com 1,24 milhões de euros.

Também na restauração se verifica uma forte capacidade de atração de consumidores de fora do concelho: cerca de metade do valor faturado teve origem em visitantes. Os cartões estrangeiros apresentaram ainda o ticket médio mais elevado, de 22,36 euros, face aos 20,70 euros dos consumidores de Braga e aos 18,30 euros dos visitantes nacionais.

“É particularmente relevante perceber que o impacto não se distribui apenas pelo centro da cidade ou por um único setor. A restauração evidencia claramente esta capacidade de atração, mas os dados mostram também efeitos muito significativos noutras atividades, como a distribuição alimentar, a moda, os bens de consumo e o alojamento”, salienta Rui Marques.

São João afirma-se como evento de escala, impacto e atração

Os resultados do estudo permitem caracterizar as Festas de São João de Braga através de três dimensões fundamentais: escala, impacto e atração.

A escala traduz-se nos 54,6 milhões de euros de atividade económica registada nos oito dias analisados. O impacto corresponde aos 18,3 milhões de euros de acréscimo estimado face a uma semana média de 2026. Já a atração é evidenciada pelos 40,5% de pagamentos eletrónicos com origem fora do concelho.

Para a AEB, estes indicadores reforçam a importância de consolidar o São João enquanto ativo económico e turístico da cidade, potenciando a sua capacidade de atrair visitantes e prolongar a permanência e o consumo.

“O estudo dá-nos uma base objetiva para pensar o futuro das Festas. Temos uma celebração com uma enorme capacidade de mobilização e com um impacto económico muito significativo. O desafio passa agora por transformar essa capacidade de atração em mais valor para a cidade, envolvendo de forma cada vez mais articulada a restauração, o comércio, o alojamento e os restantes agentes económicos”, afirma o Diretor-Geral da AEB.

Da evidência à ação

A análise aponta quatro linhas de atuação para potenciar o impacto económico das Festas de São João: consolidar o São João como produto turístico; prolongar a permanência e o consumo dos visitantes; mobilizar os setores da restauração, comércio e alojamento; e promover os mercados que apresentam maior crescimento.

O estudo teve por base a análise de dados reais de pagamentos eletrónicos da rede SIBS, comparados com a média semanal das semanas anteriores de 2026, permitindo identificar o acréscimo de atividade associado ao período das Festas.

Para a AEB, a utilização de dados reais permite uma leitura mais consistente da evolução do consumo e constitui uma ferramenta importante para apoiar decisões futuras e reforçar o posicionamento do São João enquanto uma das principais iniciativas de atração e dinamização económica de Braga.

Consulte AQUI a apresentação do estudo AEB. 

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