Opinião | Um novo ciclo de desenvolvimento económico para Braga

08 Mai 2026

Na passada segunda-feira, teve lugar a conferência de abertura da iniciativa “Semanas da Economia”, promovida pela InvestBraga em parceria com a Associação Empresarial de Braga, que lançou uma reflexão estratégica sobre um novo ciclo de desenvolvimento económico para o concelho.

Na última década, Braga viveu um dos ciclos de crescimento económico mais expressivos da sua história recente e os números demonstram-no de forma clara.

O valor total de consumo no comércio e serviços — considerando compras em TPA e levantamentos em ATM — duplicou, atingindo cerca de 2.287 milhões de euros em 2025. As exportações cresceram mais de 110%, aproximando-se dos 2 mil milhões de euros. No mesmo período, o número de dormidas aumentou mais de 150%, consolidando Braga como um destino turístico cada vez mais reconhecido. E o tecido empresarial expandiu-se em mais de 10 mil empresas, tendo sido criados mais de 30 mil novos postos de trabalho.

O volume de negócios das empresas cresceu 127% e o Valor Acrescentado Bruto (VAB) aumentou 152%, evidenciando a crescente robustez, produtividade e sofisticação da economia bracarense.

Importa sublinhar que todos estes indicadores registaram uma evolução superior à média nacional, reforçando a afirmação de Braga como um dos territórios mais dinâmicos, competitivos e resilientes do país.

Mas talvez o dado mais revelador seja outro: num país marcado por desafios demográficos e perda de população, Braga cresceu em contraciclo, ganhando mais 23 mil residentes na última década, o que representa um aumento de cerca de 13%.

Braga afirmou-se, assim, como uma cidade empreendedora, uma economia mais internacional, um destino turístico atrativo e como a cidade de referência do comércio em Portugal.

Estes resultados não surgiram por acaso. Resultam da capacidade empreendedora das empresas, da qualidade dos recursos humanos, da dinâmica institucional do território e da crescente capacidade de Braga se afirmar enquanto ecossistema económico competitivo.

Importa, no entanto, reconhecer também que este crescimento trouxe novos desafios. A forte dinâmica económica e demográfica da última década gerou uma pressão significativa sobre áreas críticas como a habitação, a mobilidade, o estacionamento, os acessos e a capacidade de resposta de diversas infraestruturas urbanas. E esta é uma realidade que não pode ser ignorada.

Se queremos continuar a crescer, precisamos também de melhorar as condições de funcionamento da cidade e a qualidade de vida de quem cá vive, trabalha, investe e visita Braga.

Mas o sucesso alcançado no passado não nos garante o futuro.

O contexto económico global mudou profundamente. A economia tornou-se mais tecnológica, mais exigente, mais competitiva e mais imprevisível. Hoje, crescer já não chega. É necessário crescer com mais valor, mais produtividade e maior capacidade de diferenciação.

E é precisamente aqui que Braga enfrenta o seu próximo grande desafio.

Existem hoje sinais claros de constrangimentos que podem limitar a dinâmica de crescimento do concelho. Desde logo, a escassez de espaços adequados para a expansão das empresas industriais já instaladas e para a atração de novos projetos empresariais. Sem uma resposta clara nesta área, Braga corre o risco de perder investimento, capacidade produtiva e oportunidades de criação de riqueza.

Ao mesmo tempo, começam também a sentir-se sinais de perda relativa de atratividade do centro urbano. E esta é uma questão particularmente relevante. O centro da cidade continua a ser um dos principais motores económicos de Braga, concentrando comércio, restauração, serviços, turismo e vivência urbana. A sua vitalidade económica não pode ser encarada como um dado adquirido.

Precisamos, por isso, de um novo ciclo de desenvolvimento económico para Braga.

Um ciclo que assente, desde logo, em mais e melhores áreas de acolhimento empresarial, com visão estratégica, gestão integrada e capacidade de responder às exigências das empresas do presente e do futuro.

Precisamos igualmente de um verdadeiro masterplan para a revitalização do centro urbano, que reforce a sua atratividade económica, residencial e turística. Valorizar o centro histórico não é apenas uma questão urbanística ou patrimonial; é uma questão de competitividade económica.

Mas este novo ciclo exige também uma mudança mais profunda.

Exige acelerar a inovação e reforçar a transferência de conhecimento das universidades e centros de investigação para as PME. Braga tem ativos extraordinários nesta matéria – Universidade do Minho, Universidade Católica Portuguesa, IPCA, ISAVE, INL – mas existe ainda um enorme potencial por concretizar na aproximação entre conhecimento e economia, mormente junto das PME.

Exige vencer o desafio da digitalização e da incorporação da inteligência artificial na gestão e operação das empresas. A IA deixará rapidamente de ser uma vantagem competitiva para passar a ser uma condição mínima de competitividade.

Exige incorporar mais inteligência na gestão urbana, utilizando tecnologia, dados e soluções digitais para tornar a cidade mais eficiente, sustentável e preparada para responder às necessidades de quem cá vive, trabalha e investe.

E exige, naturalmente, empresas mais sustentáveis, mais eficientes e mais alinhadas com os princípios ESG, não apenas por obrigação regulatória, mas porque a sustentabilidade é hoje um fator económico de competitividade.

No fundo, Braga enfrenta agora o desafio de crescer com mais qualidade e maior criação de valor. Valor através da inovação, do conhecimento, da diferenciação e da capacidade de competir em segmentos de maior sofisticação e maior valor acrescentado.

Braga tem condições únicas para liderar este novo ciclo. Tem escala, talento, capacidade empresarial, instituições fortes e uma identidade económica cada vez mais consolidada. Mas nenhum território cresce por inércia.

O futuro constrói-se com visão, cooperação, capacidade de execução e, sobretudo, com ação. O sucesso não acontece por acaso, constrói-se. E compete-nos a todos – cidadãos, empresas e instituições – contribuirmos de forma proativa para a construção deste novo ciclo de desenvolvimento de Braga.

 

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