AEB perspetiva 2026 como um ano de crescimento exigente para o comércio local
02 Fev 2026

A AEB encara 2026 com otimismo moderado, consciente dos desafios que continuam a marcar a atividade económica, em particular no comércio local. Apesar das dificuldades persistentes, a Associação acredita que o novo ano poderá representar uma oportunidade de crescimento, desde que existam condições adequadas de apoio às empresas e uma maior consciência coletiva sobre a importância do comércio de proximidade.
Para o Presidente da direção da AEB, Daniel Vilaça, é fundamental manter uma visão positiva, sem ignorar os constrangimentos que afetam o setor. “O comércio de rua continua a enfrentar dificuldades significativas, nomeadamente ao nível das rendas, que têm registado aumentos muito expressivos, mas é importante mantermos uma perspetiva otimista e acreditarmos que 2026 pode ser um ano de crescimento”, sublinha.
A AEB reforça ainda o papel dos consumidores na sustentabilidade do comércio local. Segundo Daniel Vilaça, a vitalidade dos centros urbanos depende também das escolhas de consumo. “Se queremos ter centros de cidade vivos e atrativos, os consumidores têm um papel essencial. Ao optar pelo comércio de rua, estão a contribuir não só para a sobrevivência das empresas, mas também para a dinâmica económica e social da cidade”, refere.
Apesar das expectativas positivas, a Associação alerta para o facto de 2026 se apresentar, uma vez mais, como um ano exigente. A ausência de programas específicos de apoio ao comércio por parte do Governo é uma preocupação manifestada pela AEB, que recorda a importância de medidas de incentivo à modernização e adaptação dos negócios. “No passado, estes programas permitiram que muitas empresas se reinventassem e qualificassem os seus estabelecimentos. Atualmente, não existem instrumentos desse tipo, o que deixa muitas empresas sem soluções”, aponta o Presidente da direção.
Entre as áreas que merecem especial atenção em 2026 está o comércio online, que continua a crescer de forma significativa. A AEB considera essencial apoiar os empresários na adaptação a novos modelos de venda, de forma a garantir a competitividade do comércio tradicional. “Se os comerciantes não forem acompanhados neste processo de transformação digital, o comércio local corre o risco de perder relevância. A AEB está atenta a esta realidade e continuará a apoiar as empresas nesse caminho”, assegura Daniel Vilaça.
No que diz respeito às rendas comerciais, a Associação identifica uma forte pressão associada à especulação imobiliária. Ainda assim, vê com expectativa positiva a aprovação do novo Plano Diretor Municipal de Braga, que poderá contribuir para o aumento da oferta de espaços comerciais e introduzir maior equilíbrio no mercado. A AEB defende, igualmente, uma maior consciência por parte dos proprietários, de forma a garantir condições sustentáveis para o exercício da atividade económica.
Propostas da AEB à CMB para reforçar o comércio e a atividade económica
No âmbito da sua estratégia para 2026, a AEB propõe o aprofundamento da cooperação institucional com o Município de Braga, através de um conjunto de medidas orientadas para a competitividade das empresas, simplificação administrativa e dinamização do comércio local.
▪ Balcão de Apoio ao Licenciamento Empresarial
Estrutura sediada na AEB e articulada com o Balcão Único da CMB, para apoiar empresas em processos de licenciamento industrial, comercial e de serviços.
▪ Gestão integrada dos parques industriais
Criação de um modelo de gestão articulado com a CMB, com implementação de projeto-piloto num parque industrial do concelho.
▪ Programa Municipal de Apoio ao Estacionamento
Proposta de uma hora de estacionamento gratuito para compras ≥ 20€, com aplicação de registo e monitorização do impacto económico.
▪ Programa “NextRetail Braga”
Apoio ao empreendedorismo no comércio, em parceria com a InvestBraga, para atrair projetos inovadores e reforçar a renovação do tecido comercial.
▪ Incentivos à revitalização de lojas com história
Modelo municipal de apoio à valorização e modernização destes estabelecimentos.
▪ Programa “Created in Braga”
Valorização dos produtos desenvolvidos no concelho, reforçando reconhecimento, competitividade e projeção externa.
▪ Revisão do Código Regulamentar Municipal
Simplificação e adequação das regras às necessidades da atividade económica.